Uma
madrugada de Solstício de Verão, quando a luz ainda tímida iluminava já o
horizonte mas o Sol ainda não espreitava sequer.
Dentro
de um círculo de pedras despedias-te da Lua. Todos te ouviam no exterior desse
círculo, ajoelhados, hipnotizados e embalados pelo cântico dos druidas.
Não
pude deixar de me impressionar com a tua figura.
Não
sei se foi a magia do circulo de pedras, se a presença dos druidas ou se foi a
presença da tua própria magia mas o facto é que mudei o percurso do meu voo
para me aproximar de ti.
Toquei
o chão mesmo em frente aos teus braços erguidos para o céu, ao teu rosto
iluminado por luz própria, tão próximo que o teu calor queimou a minha pele e, tal
como aquelas centenas de mortais, ajoelhei-me, não por vontade própria mas pela
força avassaladora do momento.
Foi-me
percetível que notavas a minha presença sem contudo o manifestares. Evitaste qualquer
reação que me revelasse perante aquela assembleia.
Nunca
antes sentira tanta paz. Paz com os mortais, paz com a natureza, paz comigo.
Deixei-me ficar, de joelhos na terra e braços pendidos ao longo do corpo,
cabeça levantada, olhando-te, decorando-te, adivinhando-te…. Foi então que os
druidas se calaram, os bardos tocaram e tu… tu cantaste.
Cantaste
e o mundo respondeu.
Aves
chilrearam, o vento assobiou, as árvores dançaram, agitando os seus braços, as
folhas percutiram o teu ritmo e o Sol fez a sua entrada.
Toda
a natureza explodiu.
Cantavas.
O
Sol avançava.
As
sombras recuavam e chamavam-me.
Eu
ficava.
Trocava
a vida eterna pela eternidade de um momento de vida.